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Morro do Chapéu, Bahia, Brazil
Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

E esse paradigma que me certa, me atormenta e me toma. Loucuras de um pensamento fascinante quando se quer sonhar, mas reprimido quando o que se importa é viver. Realidade irreal essa em que nós vivemos. Falando… Fazendo. Agindo de uma maneira inconstantemente surreal. Isso me toma. Isso me mata. Em meados de um tempo fui satisfatoriamente melhor do que hoje estou, ou simplesmente sou. Essa louca escassez de viver. De curtir. De amar ou simplesmente de ser. Sim… Uma escassez de ser. Onde consegui chegar, no limite do sem limite eu estou. Existe um limite até onde não se pode existir.  Surreal. Me deparo com a monotonia do estar, do querer. Estou deplorável. Só lamento por mim que não fiz tudo o que quis certo tempo. 
Verena Herêda!Uma saudade dos mil anos que passamos, ou das três semanas. A loucura de gostar tanto pra tão pouco ou simplesmente a loucura de tanto acabar assim. Fora tudo o que guardei de você, me restou a consideração que você guardou por mim. Sua ligação depois, quando me encontra. Sua mão estendida. Sua lamentação pela vida como ela é. Sua gentileza disfarçada de vergonha por não gostar mais de mim. A maneira que você tem de pedir perdão por ser mais um cara que parte assim que rouba um coração. Você é o mocinho que se desculpa pelo próprio bandido. Finjo que aceito suas considerações mas é apenas pra ter novamente o segundo. Como o segundo do meu nariz na sua nuca quando consigo, por um segundo, te abraçar sem dor. O segundo do seu nome na tela do meu celular. O segundo da sua voz do outro lado como se fosse possível começar tudo de novo e eu charmosa e você me fazendo rir e tudo o que poderia ser. O segundo em que suspiro e digo alô e sinto o cheiro da sua sala. Então aceito a sua enorme consideração pequena, responsável, curta, cortante. Aceito você de longe. Aceito suas costas indo. Aceito o último cacho virando a esquina. O último fio preso no pé da minha cama. Não é que aceito. Quem gosta assim não come migalhas porque é melhor do que nada, come porque as migalhas já constituem o nó que ficou na garganta. Seus pedaços estão colados na gosma entalada de tudo o que acabou em todas as instâncias menos nos meus suspiros. Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de perdão pela falta de profundidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, todo o nojo e toda a indignação se calam para ver você passar. (Tati Bernardi)

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